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Homilia 06 de abril de 2022

5ª semana da Quaresma

Primeira Leitura (Dn 3,14-20.24.49a.91-92.95)
Responsório (Dn 3,52-56)
Evangelho (Jo 8,31-42)

O Senhor encoraja aqueles que acreditaram a não ser superficiais em sua fé, a perseverar, a manifestar o que está em seus corações. Ele sabia que alguns dos que haviam acreditado que não iriam perseverar. Jesus lhes dá uma magnífica promessa de que perseverando se tornarão verdadeiramente seus discípulos.

Todos nós temos um Mestre e somos discípulos sob seu comando. Ele é o Mestre de todos e, portanto, não somos mestres porque falamos com autoridade, mas porque o Senhor está em nossos corações. É pouca coisa para o discípulo unir-se a Cristo com entusiasmo, é preciso portanto continuar com ele e dentro dele. Se não continuarmos nele, cairemos. Estas são poucas palavras do Senhor, mas explicam o necessário e grande compromisso da perseverança.

Continuar na Palavra de Deus significa evitar cair em tentação. Se não houvesse este trabalho, se não houvesse esta luta, não haveria prêmio. Se houver este compromisso, o prêmio será grande e será o de conhecer a verdade.

O Senhor Jesus continua a dizer que a fé dá conhecimento. Portanto, não é o conhecimento que nos faz acreditar, mas sim a fé que oferece o conhecimento da verdade. Continuando a acreditar em Jesus Cristo, chegaremos à contemplação da autêntica verdade, ela não é transmitida por palavras, mas revelada pela luz de Cristo.

Como diz Santo Agostinho, a verdade é o pão da alma, sem se esgotar transforma quem dela se alimenta e ela mesma não muda. Qual é a utilidade de conhecer a verdade?

 É por isso que o Senhor acrescenta: a verdade vos fará livres. Portanto, se a verdade não nos atrai, pelo menos nos atrairá a liberdade. Ser libertado é ser livre, assim como a pessoa doente é livre quando está curada. Ser libertado é encontrar a cura contra o perigo.

Para aqueles que não acreditavam, o Senhor tinha dito que eles morreriam em seus pecados. Agora, para aqueles que têm fé, o Senhor proclama a liberdade do pecado, a liberdade da morte e a liberdade da corrupção. Portanto, Ele proclama a incorruptibilidade e a imortalidade como o destino da pessoa humana, dos filhos de Deus.

Este caminho não é imediato, o conhecimento da verdade, de Cristo, é um caminho progressivo. Os fariseus pensavam conhecer a verdade de Deus, mas Jesus lhes diz que eles não a conhecem porque não reconhecem a Palavra de Deus e, portanto, não chegam à liberdade. São Paulo insistirá longamente que Cristo nos justifica e nos liberta.

Durante este último período da Quaresma contemplamos, portanto, os próximos dias como dias de nossa libertação, um período de 40 dias chega ao fim e Cristo nos abre o caminho da graça, da liberdade e da vida.

Deus abençoe,

Giambattista Diquattro – Núncio Apostólico