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Homilia 10 de março de 2022

Capela da Nunciatura Apostólica

1ª semana da Quaresma

Primeira Leitura (Est 4,17n.p-r.aa-bb.gg-hh)
Responsório (Sl 137)
Evangelho (Mt 7,7-12)

No livro de Ester, há duas orações, a oração de Mordecai e a de Ester. A primeira leitura de hoje é a oração de Esther. As duas orações são como duas fumaças de incenso, subindo da terra para o céu a partir de duas vozes de dois lábios diferentes.

Estas orações são preservadas do livro de Ester apenas no texto grego, não as temos no texto hebraico. Essas orações têm um fio musical constante do tempo do pós-exílio. Há outros no terceiro e no nono capítulo de Daniel, no nono capítulo de Esdras, no primeiro capítulo de Neemias.

Essas súplicas, essas orações eram as orações nacionais ou mesmo litúrgicas de Israel do pós-exílio, do judaísmo. São orações profundamente conscientes do fato de que se agora as pessoas estão em dificuldade, no drama, na tragédia, a razão é porque sempre há uma raiz, há sempre uma fonte.

E a fonte está em nós:  é o pecado do povo, o pecado dos pais, se não é nosso. Assim, a oração é destinada acima de tudo a explicar a história e dizer por que as pessoas estão em dificuldade. Tudo o que está acontecendo é lógico. É uma hermenêutica da história, ou seja, explicar o significado íntimo e coerente dos acontecimentos e tentar esclarecê-los.

O Escritor sagrado adota uma teoria bastante óbvia: a teoria da retribuição. O mal é explicado pelo erro e pelo pecado passado. Jesus não adota essa teoria, Ele declara que, no que diz respeito ao cego nascido, nem ele nem seus pais pecaram para merecer esse sofrimento. Jesus rejeita essa lógica um tanto perversa. Às vezes, o sofrimento não está enraizado no solo escuro e pantanoso do pecado. 

O sofrimento de Jesus não está enraizado no mal, mas no amor e na caridade: ele morreu para nos salvar. Pecado e sofrimento assumem uma nova leitura à luz da redenção.

Deus abençoe,

Giambattista Diquattro – Núncio Apostólico