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Homilia 05 de abril de 2022

5ª semana da Quaresma

Primeira Leitura (Nm 21,4-9)
Responsório (Sl 101,2-21)
Evangelho (Jo 8,21-30)

A morte de nosso Senhor Jesus Cristo foi um retorno de onde ele veio

A passagem do Evangelho nos faz refletir sobre duas maneiras de buscar o Senhor. Aqueles que não o procuram para seu próprio lucro e interesse e estes o procuram da maneira correta e encontram a paz. Eles buscam a Palavra que estava com Deus no início, para que pela Palavra possam ser conduzidos ao Pai.

Há aqueles que o procuram por interesse próprio, que o procuram para persegui-lo, que não o encontram, porque não o amam e não têm sua presença. Estes se amam a ponto de desprezar a Deus. Assim, odeiam aquele de quem vem a salvação, e para estes o Senhor pronuncia uma sentença irrevogável e profética. Eles morrerão em seu pecado. O pecado é único, amar a si mesmo e não amar a Deus, no singular para expressar a raiz do pecado e no plural “vosso pecado” porque é a fraqueza de muitos.

O Senhor está se dirigindo àqueles que quiseram ser incapazes de seguir a Verdade e a Sabedoria. A Palavra de Deus ainda está presente no mundo e anuncia sua partida para que aqueles que amam a Verdade e a Sabedoria possam manter as sementes recebidas em suas mentes e corações. Assim, a Palavra de Deus se afasta daqueles que caem em fraqueza. O Senhor se volta para nós que caímos se não quisermos nos levantar e diz que vamos procurá-lo, mas não vamos encontrá-lo. A pessoa que escolhe viver e morrer em seu pecado não pode ir para onde Jesus vai. O Salmo 113 nos lembra que o morto não louva ao Senhor e que o morto está com aquele que viveu e morreu em pecado.

Os judeus interpretam estas palavras como geralmente fazem num sentido humano e lhe fazem uma pergunta inapropriada: por que não podemos segui-lo? Eles estão pensando na incapacidade de segui-lo no momento da morte e não de segui-lo para onde ele vai após a morte.

O Senhor Jesus não se matará, mas oferecerá sua vida a partir de si mesmo, de modo que ele afirma ter poder sobre sua própria morte, será uma morte voluntária,  não um suicídio, será uma morte oferecida por amor à humanidade.

Assim se abre uma declaração solene: o Senhor afirma vir do Pai e, de fato, como poderia aquele que fez o mundo e que foi antes do mundo ser do mundo? Assim também sua vontade é uma adesão à vontade inefável do Pai.

A liturgia desses dias nos prepara, portanto, para compreender no fundo de nossa consciência os sentimentos que permaneceram no coração de Cristo ao preparar-se para o supremo sacrifício da cruz.

Deus abençoe,

Giambattista Diquattro – Núncio Apostólico