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Homília 25 de março de 2022 – Visita Pastoral na Arquidioce de Curitiba – PR

semana da Quaresma

Primeira Leitura (Is 7,10-14;8,10)
Responsório (Sl 39)
Segunda Leitura (Hb 10,4-10)
Evangelho (Lc 1,26-38)

Dom Giambasttista Diquatto durante a homilia no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe- Foto: Yasmin Gasparini

É com profunda alegria que celebro com vocês a Liturgia da Santa Missa, como sinal do amor e da preocupação do Santo Padre Francisco e do afeto e comunhão que vocês desejam manifestar ao Papa. Sou muito grato a vocês pela calorosa acolhida e pelas manifestações de amizade fraterna que vocês sempre demonstraram e que agora confirmam com sua querida presença. É com profunda alegria que celebro com vocês a Liturgia da Santa Missa, como sinal do amor e da preocupação do Santo Padre Francisco e do afeto e comunhão que vocês desejam manifestar ao Papa. Sou muito grato a vocês pela calorosa acolhida e pelas manifestações de amizade fraterna que vocês sempre demonstraram e que agora confirmam com sua querida presença. 

A Solenidade da Anunciação do Senhor nos convida a voltar nosso olhar espiritual para a visita de Deus à Bem-Aventurada Virgem Maria.  

O Anjo de Deus visita Maria, o anjo não visita quando é conveniente para ele, mas visita quando é conveniente e benéfico para os filhos de Deus. Porque a vocação do anjo é perscrutar a glória e a plenitude da sabedoria divina. É por isso que o Evangelho diz que o Anjo Gabriel foi enviado por Deus. E não um anjo qualquer foi enviado à Virgem Mãe: o Arcanjo Gabriel foi enviado, porque para esta vocação era conveniente que aquele que mais de perto discerne a vontade de Deus e, como o próprio nome diz, é o “poder de Deus”, fosse designado. Por isso, Gabriel, que é a “força de Deus”, anunciou o nascimento de Jesus Cristo, que significa “Deus nossa força”. 

Este é o início de nossa redenção, a redenção que vem de Deus, gratuitamente, pela graça. O diabo, na figura de uma serpente, havia enganado a mulher induzindo-a ao orgulho e o Arcanjo enviado por Deus consagra uma virgem na obediência. Nosso Senhor Jesus Cristo nasceu da obediência de uma Mãe virgem para que todo cristão nasça de novo em obediência à Virgem Mãe Igreja.  

Maria recebe o anúncio não em sonho, mas através da presença de um Anjo, em uma extraordinária manifestação visível, assim como nós também recebemos de Deus os sinais de sua presença e de sua vontade em nossa história em todos os dias, na vida cotidiana que sabemos identificar com os olhos da fé. 

Maria em hebraico significa a estrela do mar e em siríaco ela significa a patroa; na vontade do Senhor ela é a patroa porque Deus a considerou digna de ser a Mãe de seu Filho e ela é a estrela da luz sem limites por todos os séculos.  

Façamos uma pausa para contemplar o início do encontro. Maria está na privacidade do seu quarto, escondida dos olhos dos homens, mas na presença de Deus. O Arcanjo com as suas palavras de abertura mostra como a virgem está na presença de Deus: Maria é cheia de graça.  

O discernimento de Deus é único para a Santíssima Virgem. A nenhuma outra pessoa são dirigidas estas palavras. É por isso que o olhar de Deus está cheio de alegria e esta alegria é transmitida nas primeiras palavras (“Ave”). A graça chega a cada um de nós na medida necessária para nossa vocação. A graça vem a Maria por causa de uma vocação universal, a vocação de transmitir a salvação ao mundo através de seu único Filho. 

A seguinte declaração do Arcanjo (“o Senhor está contigo”) nos faz perceber que Deus precedeu seu Mensageiro angélico, porque Aquele que habita em todos os lugares não pode ser fechado e limitado a um espaço.   

Maria concebeu e trouxe a Palavra de Deus para o mundo. Consideremos a pedagogia angélica. Primeiro o anjo comunica o nome Jesus, mas como o nome não era raro naquela época, ele acrescenta imediatamente que o Filho da Santíssima Virgem será grande e será chamado de Filho do Altíssimo. Pois em Jesus está o poder de Deus, a substância divina, que não pode ser percebida pelas criaturas, não determinada pelo raciocínio humano, não corrompida pelo tempo, nem confinada no espaço.   

 Maria não se recusou a acreditar no Anjo, nem aceitou a mensagem divina com demasiada superficialidade: mas com fé ela perguntou e com caridade recebeu uma resposta. E a sombra do Altíssimo fez surgir nela o Salvador do mundo. 

O termo sombra significa ambas as naturezas do Deus encarnado. A sombra é feita de luz e matéria. O Senhor, por sua natureza divina, é luz. Como a luz imaterial deveria ser encarnada no ventre da Virgem, o Arcanjo diz bem: o poder do Altíssimo dará ao seu corpo humano a luz imaterial da divindade.  

 Isto é dito a Maria para o refrescamento celestial de sua alma e de nossa alma. Que a Virgem Mãe ilumine nossos passos com a luz de seu Filho e nos dê forças para testemunhar em nossas vidas a caridade de seu Amor. 

Giambattista Diquattro – Núncio Apostólico